O meu nome é Miguel. Sou o líder dos guerreiros Lusitanos.
O meu general é Diogo mas, pelas outras aldeias, ele é conhecido por: torturador, massacre, o destruidor, e muitas outras coisas destrutivas.
- Meu comandante, as tropas estão prontas. Vamos finalmente acabar com o domínio de Roma! – disse o general Diogo.
Eu permaneci em silêncio. Depois respondi:
- Lidera o ataque. Leva 6.000 dos nossos soldados. Eu fico cá com os outros 4.000 para o caso de haver uma emboscada. - E foi isso que aconteceu. Os Romanos atacaram os «Montes Hermíneos» (actual Serra da Estrela), o nosso território. Fiquei indignado!
Contactei o meu general pela linha telefónica (Atenção! Naquela altura não havia telefones). ALELUIA, ele atendeu! Não foi «surdo» como das outras vezes:
- Acalme-se comandante.
- Dá-me um bom motivo para isso!!
- Aqui já só faltam aí uns 20, mas daqui a nada, vai ser só o César!!! Ahahahahah!!!! Vamos matá-lo, torturá-lo, massacrá-lo!!!!
- Certo, quando acabarem aí… ei, espera. E dos nossos, quantos morreram?
- Poucos, pouquíssimos, acredite. Adeus. Vamos já para aí.
Pouco depois, já eles tinham chegado para ajudar.
- Senhor, já cá estamos! Depois de termos acabado com as tropas, o César fugiu com o rabinho entre as pernas, eheheheheheheh!!
Foi um dia de luta intensa…ah, espera, ainda não disse quantos vieram inteiros. Bom, cerca de 5826 (é claro que não os estive a contar) mas o que conta é que passadas algumas horas, havia zero Romanos nas redondezas. Os que se tinham salvo, já iam a milhas.
- Que cobardolas!!!
E esta é a história de como eu e os Lusitanos vencemos os Romanos.
Quando vencemos os Romanos
Ficamos muito felizes,
E assim se acabou
A guerra entre os dois países.
Vigiamos o nosso território
Não nos tentem fazer frente.
Guardamos tudo a sete chaves
Desde a manhã até ao poente.
Miguel Ferreira Dias. EB1 de Montemor-o-Novo n.º 1. 4.º ano, turma J.
BIBLIOTECAS ESCOLARES
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Era uma vez um fábrica onde se montavam ideias. Vinham, as ideias, em pequenas palavras - às vezes sílabas amontoadas - de diferentes cores e formas. Traziam recados das bocas das mães, dos silêncios das florestas, das vozes dos bichos, das cidades e das aldeias. Por tudo isto, pareciam peças de puzzles, muito difíceis de juntar... e não havia duas peças iguais.
Um dia, entraste na fábrica. Parecia-te estranho que de um edifício tamanho não se ouvisse um barulho de máquina ou um operário a gritar do piso de baixo para o piso de cima, expondo uma qualquer dúvida que tivesse tido quando compunha um texto: «Achas que faça parágrafo aqui?! A nova ideia não é totalmente uma novidade!!». Nunca é. Sabias? Tenho para mim que as ideias são puxadas como os meninos quando vão pela estrada em comboio, nos passeios da escola. O menino anterior na fila puxa o seguinte... e assim seguem sem que se percam!
Estavas lá dentro na fábrica. Foi fácil. A porta estava aberta; não porque alguém se esquecesse dela, mas porque não tivesse valido a pena fechá-la. As letras estavam quietas, esquecidas, com pó; umas deitadas de costas e outras de barriga; umas pelo chão, outras dentro das caixas ou em cima das mesas de montagem.
Subiste a uma cadeira, parecia-te que as palavras eram compostas em cima de mesas de gigantes, onde só os adultos chegavam. E afinal os adultos mostraram, abandonando a fábrica e as palavras, que não tinham mais nada a dizer ao mundo. Não precisaria, o mundo, das ideias deles?!...
Tu és pequeno. Estás em cima duma cadeira numa velha fábrica de ideias, abandonada. Não há gigantes que te apontem o dedo, num gesto firme de «sai já daí!!».Então, aproveitaste.
As tuas ideias, depois de prontas, saíram pela chaminé num fumo de vapor de água cristalina. Um curto «puff...» foi suficiente para desenhar no céu uma nuvem que tem passado pelo mundo a baixa velocidade; que se deixa ver e admirar.
Talvez, e antes que sejas grande, dês às ideias e às palavras que as descrevem um valor tal que as faça reactivar esta fábrica.
Nota: Vamos esperar que, de futuro, o mobiliário permita a participação de pessoas com menos de metro e meio.
António Xavier Ferreira, professor bibliotecário